a câmara dos comuns

do Lat. commune: adj. 2 gén., que pertence simultaneamente a mais que um; normal; usual; feito em comunidade


Ruas de pedra



Diz o povo que quem tem telhados de vidro não deve andar à pedrada. E diz bem. Radicando noutros valores, a Bíblia subscreve esta ideia oferecendo a pedra apenas àquele que nunca pecou. Na altura, presume-se com a justa influência divina, funcionou adequadamente o espírito de autocrítica e a vítima foi salva in extremis iniciando aí o caminho para a mais impoluta santidade.
No Portugal de hoje, parco de santos, influências divinas e espírito de autocrítica, o apelo à pedrada preocupa-me. Sobretudo o precedente que cria. Corremos o sério risco de ainda ver o próprio Ruas a ser apedrejado na via pública por alguma rotunda mal enjorcada ou fontanário seco. Ainda pasmaremos ante a fúria da populaça contra um Presidente de Junta e a deficiente conservação das valetas. Lamentaremos a sanha do povo contra o funcionário das Finanças demasiado zeloso no envio de cartas registadas com aviso de recepção.
A morte por lapidação pode passar a ser a principal causa de renovação dos actores do sistema político e da função pública. Adivinho alguma despreocupação quanto a isso e até algum gozo mais ou menos escondido. Mas, como uma grande percentagem dos portugueses é enquadrável nestas categorias, temo que muitos dos despreocupados e foliões mudem rapidamente de ideias quando as pedras voarem na sua direcção.



JV

0 Responses to “Ruas de pedra”

Enviar um comentário

Links to this post

Criar uma hiperligação